NEGOCIADORES DE FÉ
(Ederson Malheiros Menezes)
No espaço religioso há uma diversidade de configurações, por isso, não podemos generalizar - mas observar possibilidades desvirtuadas.
Em alguns casos apresentar-se como cristão é um modo de dizer "você pode confiar em mim". Sou uma pessoa de confiança e podemos fazer negócios.
Alguns ousadamente afirmam que seu real interesse é falar de Deus, mas a ênfase realmente é outra.
Existem diversos capitalismos, e poder-se-ia dizer que um dos mais proeminentes é o capitalismo teológico.
O sociólogo Max Weber encontrou ligações entre a "Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo" - e, ao que tudo indica, estes traços se perpetuaram a partir de diversas mutações.
Nos textos de Mateus 21:12-13, Marcos 11:15-16, João 2:13-17 encontramos Jesus expulsando negociadores do Templo. Neste episódio, fica evidente que pode ser perigoso fazer confusão entre negócios e fé.
E mais, que esta confusão é, certamente, algo que não agrada a Deus.
É fato de que alguns já referenciaram que o que Deus não gosta é o comércio dentro das igrejas - mas esta esfera geográfica, nunca conseguiu delimitar de modo exclusivo a igreja.
Há pessoas bem intencionadas, pessoas inteligentes, porém que não percebem que o discurso de mercado é como caminhar em cima de um muro - uma hora você escorrega e cai!
A fé já vive uma crise no contexto das instituições religiosas que diariamente recolhem ofertas sob os mais diversos pretextos e escândalos.
Líderes carismáticos carregam multidões em mercado denominado gospel.
É uma cultura de fé mercantil que começa nas negociações com o próprio Deus e estende-se nas relações de uns para com os outros.
Estamos "contaminados" com esta cultura de mercado de modo que até mesmo nossa fé é uma fé de negócios.
Judas evidenciou como negócios deste mundo podem perverter a vivência diária com Deus em traição.
Me parece, e talvez esteja enganado, que esta questão econômica é um espaço de tensão em relação a fé.
É algo decisivo quando se diz que "não se pode servir a dois senhores" - e um deles é o dinheiro.
Este é um ponto de muita tensão, porque quase tudo no mundo e na vida está transpassado pela questão econômica.
Mas, se você parar para pensar, a economia bíblica é de subsistência, não é projeto principal de vida.
E, neste sentido, não significa que alguém não possa ter muito dinheiro, que não possa fazer muitas negócios - entretanto isso não deveria de modo algum, violar tudo aquilo que é superior.
Várias necessidades são supridas através do dinheiro, entretanto, ele é o que é, uma moeda de troca e só isso!
Além do mais, o dinheiro não supre todas as coisas - e melhor, não alcança a coisas mais excelentes que são espirituais.
Parece que tudo se resume de modo muito didático no fato de que "onde estiver o teu coração, alí estará o teu tesouro".
Ederson Malheiros Menezes
