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Deus não deveria ser seu objeto





DEUS NÃO DEVERIA SER SEU OBJETO

Ederson Malheiros Menezes


Estamos programados para transformar tudo em objeto, as pessoas, as experiências e até mesmo Deus.
Por que fazemos isso?


Objetos são usáveis! Somos o que se denomina, utilitaristas.
Então, sigilosamente no íntimo encontro a questão: Como posso usar Deus?
Ai que horror! Eu jamais pensaria algo assim!
Pensaria sim! Apenas é difícil reconhecer.


No começo desconhecemos Deus, então investigamos, buscamos compreender como Ele funciona e então.... "pimba" - agora já sei como fazer, é só apertar esse botão da oração, o botão do voto e pegar a bênção solicitada.
Evidentemente, muitas vezes a coisa não é tão descarada assim.
Mas, percebemos que estamos tentando usar Deus quando nos frustramos com Ele, quando Ele não funciona do jeito que achamos que deveria funcionar.


Nosso ego nos leva a querer que tudo e todos girem em nossa órbita, conforme nosso próprio universo - então, ficamos bravos quando Deus não faz o combinado - combinado apenas de nossa parte, um acordo que só tem regras minhas.


O problema que enfrento então com Deus é que Ele não se sujeita aos meus caprichos e interesses, Ele/ele parece "fugir" sempre.
E essa fuga, por vezes é libertadora para nós, porque é neste momento que você descobre que estava errado sobre Deus. 


Então, começo a tentar negociar novamente com Deus, quem sabe chegamos a um novo acordo - uma nova tentativa de reduzi-Lo a minha compreensão e uso.


Me recuso a aceitar que Deus permanece para além do meu ESPANTO, pois Ele não cabe na minha linguagem e nem mesmo na minha compreensão. 


Estou sempre tentando colocar Deus dentro da minha caixinha de crenças e definições, sempre ajustando todos os detalhes - mas, como já disse, Ele/ele sempre "foge".


Me parece que Jó viveu um pouco deste dilema.
Jó não entendia porque tudo estava dando errado, afinal estava fazendo "tudo certo", já tinha entendido como tudo funcionava.
E, me parece que um dos principais erros dos quais Jó foi conscientizado pelo próprio Deus, foi o de que Jó achava-se orgulhosamente em condições finitas tentando compreender o infinito, querendo dizer como Deus funcionava e como deveria fazer as coisas.


E a questão mais difícil é que esta relação com o ETERNO não é pontual.
Esta relação pode traduzir-se na história de uma vida, por anos e anos - até que se percebe que você não tem o controle e nem compreende tudo o que Deus é - você precisa sempre ficar espantado.


Se tivesse que dar um conselho, então diria: deixa o próprio Deus revelar-se a você, espante-se!


Mantenha sua sede, mas deixe que a Água da Vida seja derramada naturalmente, sem interferência ou tentativa humana de domínio, de tentar subjugá-la - renda-se!


Experimente ser o objeto a ser investigado em vez de fazer de Deus seu objeto.


Ederson Malheiros Menezes


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