UM FIO DE ESPERANÇA
(Ederson Malheiros Menezes)
Adão e Eva deviam ter tantas cosias para fazer, e aparentemente, tão poucas que não deveriam ter feito. No entanto, ocuparam-se com aquilo que era pequeno, mínimo, sem valor e feriram a humanidade e toda a criação com sua transgressão - transgressão que de algum modo passou a ser considerada nossa.
Já na primeira geração de filhos nasce também o assassinato do próprio irmão - Caim mata Abel.
Na sequência temos a evolução da maldade a um ponto absurdo, de modo que Deus decide destruir a humanidade e a criação, deixando Noé, seus filhos e os animais da arca. E, mesmo após esta "limpeza divina", logo adiante tudo vira novamente uma Torre de Babel.
Então surge Abrão que seria posteriormente denominado "pai da fé", entretanto ele mente e usa sua esposa para não morrer e angariar recursos, toma sua escrava por esposa sem confiar no que Deus havia prometido, e assim desde os primórdios da humanidade até os dias atuais, tudo o que se vê é um ser humano que não para de gerar e fazer o mal a si mesmo e ao seu semelhante.
A história da fé não é bonita, ela está manchada pelo fracasso contínuo do ser humano.
Nem o Filho de Deus foi poupado, de modo que, foi crucificado.
O que exatamente tudo isso nos mostra?
Não sei se há algo que possa ser traduzido, que se possa dizer ser compreensível.
Mas, sim! No meio de todas estas tragédias parece haver um fio muito fino que se tenta tramar, um fio de esperança que em toda a história ainda se constitui um fio de esperança.
Talvez seja somente isso que tenhamos - um fio de esperança.
Fio da promessa divina, fio frágil da fé frágil, fio da resistência diante da corrupção humana, fio do andar com Deus mesmo que cambaleando, fio do invocar o Senhor sem saber ao certo o que está se fazendo, fio da construção do altar, é o fio que por vezes se mescla com cordames indesejados - mas, sempre um fio de esperança.
Evidentemente, que este fio não se sustente por si próprio - o que exige que você acredite em algo bom que não consegue ainda ver - é quando o fio da esperança se transforma em princípio de fé.
(Ederson M. Menezes)
