Você é uma pessoa boa que pratica o bem?
Ederson Malheiros Menezes
Em uma sociedade em que se é diariamente levado a competir
ou a comparar-se com outros,
fazer o bem torna-se um enorme desafio.
Aquilo que muitos chamam de bem
é facilmente desmascarado
como desejo narcisista de atenção e reconhecimento.
Há ainda o “bem disfarçado”,
que na verdade carrega segundas intenções.
Alguém pode começar fazendo o bem da forma certa.
Entretanto, ao receber um elogio pelo feito,
o bem deixa de ser bem
e torna-se trampolim para massagear o ego.
Na Carta de Tiago (4.17),
as coisas se tornam ainda mais complicadas.
Pois ele afirma que,
se alguém sabe o bem que deve fazer e não o faz,
comete pecado.
Uma das particularidades da Carta de Tiago
é apresentar a fé de modo profundamente prático.
Ela não pode ser uma espiritualidade vazia,
mas precisa estar embasada em obras
que a evidenciem.
Tiago nos alerta que erramos
não apenas quando fazemos o que é errado,
mas quando deixamos de fazer o que é bom
e temos consciência disso.
Em suas palavras:
“Se você sabe o bem que deve fazer
e não o faz, comete pecado.”
A maioria das pessoas preocupa-se apenas
em tentar fazer o bem.
E, como já foi dito,
muitas vezes esse bem
não é exatamente o bem que deveria ser.
Mas a situação se agrava
quando somos confrontados
não pelo mal que fizemos,
mas pelo bem que deixamos de fazer.
Quanto bem você sabe que deveria fazer
e não faz?
Na perspectiva bíblica,
quando não fazemos o bem que sabemos ser necessário,
erramos o alvo,
caminhamos na direção contrária,
pecamos.
Se você tenta fazer o bem
movido por interesse próprio,
tendo em vista algum benefício,
saiba desde já:
esse bem não vale nada.
E quando você desiste de fazer o bem,
muitas vezes o motivo é simples:
“não ganhei nada em troca”.
E talvez seja exatamente esse o ponto.
Ainda bem que você não ganhou nada em troca,
porque esse nunca foi o bem esperado de você.
Se eu perguntasse agora:
você é uma pessoa boa?
O que responderia, sinceramente,
à luz de tudo o que foi dito aqui?
Tiago complicou a vida?
Não.
Ele apenas expôs nossa limitação
em viver e praticar o bem.
Que desafio.
Viver a fé
é muito mais exigente
do que geralmente se imagina.
Então, se você deseja fazer a vontade de Deus,
talvez o começo seja simples e radical:
fazer o bem de Deus
na vida de outras pessoas.
Ederson Malheiros Menezes
